Oriente Médio, continuam os ataques aéreos no Irã. Centenas de vítimas

No centro do conflito permanecem os bombardeios sobre o Irã e o Líbano. No que diz respeito à frente principal, registam-se novos ataques a Teerã, que sofre a maior pressão militar, mas também a Karaj, à cidade sagrada xiita de Qom e a muitas outras localidades, como Behbahan, Kermanshahm Khorramabad, Shiraz e Tabriz: um balanço das fontes humanitárias refere pelo menos 1100 vítimas entre os civis, até agora, desde o início das hostilidades. O governo decidiu adiar o funeral do aiatolá Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, cujas celebrações deveriam ter começado na noite desta quarta-feira e se prolongado por três dias. Por outro lado, foi desmentida durante a noite a notícia divulgada pelos meios de comunicação estadunidenses de que curdos iraquianos teriam entrado em território iraniano; por sua vez, porém, o Irã confirmou ter lançado pelo menos três mísseis contra unidades paramilitares do Curdistão iraquiano.

A frente do Líbano

A guerra continua também no Líbano, com os ataques israelenses insistindo na periferia da capital, reduto da milícia xiita do Hezbollah, e o avanço no sul: um drone lançado contra o país caiu sobre a casa de um alto funcionário do Hamas, que morreu junto com sua esposa. Um balanço absolutamente provisório refere 72 mortos e 437 feridos no Líbano, aos quais se somam três mortos e seis feridos na autoestrada para o aeroporto de Beirute e duas vítimas, além de um ferido, entre o campo de refugiados de Beddawi e a cidade de Trípoli, no norte do país.

A ampliação do conflito

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Enquanto os países do Golfo continuam a ser alvo de mísseis e drones iranianos e as embaixadas estadunidenses são evacuadas de pessoal não indispensável, uma após a outra, o conflito continua a se ampliar: um míssil lançado pelo Irã foi interceptado e destruído em território turco após sobrevoar os céus da Síria e do Iraque. O episódio, negado por Teerã, não acionou o artigo 5º dos tratados da OTAN porque, segundo se soube, o míssil teria sido na verdade direcionado a uma base militar na parte grega da ilha de Chipre. Por fim, no Mar Arábico, ao largo da costa do Sri Lanka, um submarino norte-americano afundou esta quarta-feira a fragata iraniana Iris Dena, causando pelo menos 87 mortes entre os membros da tripulação, enquanto mais de 30 estão desaparecidos.

A posição dos EUA

Enquanto isso, o nível de alerta aumenta no mundo após a ampliação das operações militares iranianas, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende sua posição na guerra contra o Irã ao lado de Israel, fortalecido também pela rejeição pelo Senado de uma resolução para o fim do conflito, e declara: “A liderança iraniana está desaparecendo velozmente, seus mísseis estão sendo destruídos rapidamente. Estamos em uma posição muito forte agora”.

As reações internacionais

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O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, tenta a via diplomática e, ao se reunir com o representante permanente do Irã nas Nações Unidas, o embaixador Amir Saeid Iravani, reitera a posição já expressa durante a sessão do Conselho de Segurança no sábado, desejando o “retorno ao diálogo no interesse da estabilidade regional”. A diplomacia também está em ação na Grã-Bretanha, que convocou o embaixador iraniano, Seyed Ali Mousavi, depois que drones atacaram a base aérea britânica em Chipre, embora Londres não acredite que eles tenham sido lançados diretamente do Irã. Por sua vez, Espanha e Alemanha reiteram sua estranheza a esta guerra, com Madri negando “categoricamente” que pretenda cooperar militarmente com os Estados Unidos nas operações contra o Irã, rejeitando as declarações da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, e Berlim pedindo ao Irã que cesse os ataques. O conflito também preocupa a Itália, em particular pela “reação virulenta do Irã — declarou a presidente do Conselho, Giorgia Meloni —, que está basicamente bombardeando todos os países vizinhos, incluindo aqueles que se empenharam por um acordo sobre o nuclear iraniano, o que acarreta um risco de escalada que pode ter consequências imprevisíveis”. Em fibrilação pelas repercussões econômicas e pela disponibilidade de petróleo, a Coreia do Sul convoca reuniões extraordinárias também após a recente queda da Bolsa de Seul.

Marcley Rodrigues de Matos

Marcley Rodrigues de Matos

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